21 de fevereiro de 2009

duas faces

Não consigo perceber se sou uma pessoa rápida ou lenta. Às vezes sinto o meu tempo parar, enquanto o do relógio continua. Às vezes acontece o contrário, os meus minutos cheios a abarrotar e o relógio, na sua calma, apenas conta os segundos, uns atrás dos outros.
Nesta maneira de ser, o mais difícil é decidir-me a deixar que os outros inventem o seu próprio tempo e também eles possam resistir a um relógio intransigente.
Os momentos doces deveriam durar muito tempo, um tempo equivalente à importância que mais tarde lhes atribuimos, pelos momentos aborrecidos deveríamos passar a galope sem concessões.
Penso que seria mais real, pois corresponderia ao que sentimos, que é infinitamente mais importante e transformador do que a correção do tempo inventado pela nossa cabeça.
Em vez de cada cabeça, sua sentença, poderíamos dizer a cada momento, o seu tempo.
Sou rápida e lenta, ou seja, sou rápida para poder ser lenta.

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