21 de abril de 2010

sentido

O sentido do que a vida nos trás nem sempre é claro. Mas penso que raramente é a nosso desfavor que as coisas surgem no nosso caminho.
Mais complicado do que compreender o sentido das coisas difíceis é compreender o sentido, o alcance e o valor das coisas boas. Sentirmo-nos melhor por ultrapassar uma dificuldade, sim. Mas, e o que fazer quando as coisas boas nos surgem em catadupa? Como ultrapassar o contentamento fácil, como evitar o orgulho ou a arrogância de achar que se nos acontece é porque merecemos, somos capazes ou fizémos por isso?
Nada do que temos ou do que nos acontece tem um valor em si, absoluto. Tudo é caminho e deve levar-nos a sermos melhores. Se as coisas boas nos fizerem sermos maus, fora com elas.

23 de novembro de 2009

espaço

Não cabe tudo. É preciso arranjar espaço para as dimensões da vida que de facto nos aumentam.
Por isso, neste tempo de quase advento, proponho deitar fora. Deitar fora sem dó nem piedade, tudo o que possa estar a ocupar indevidamente espaço no meu coração.
Deixar tudo limpo, arranjar vazio, arranjar horizonte. Tornar a vida leve para poder aliviar o peso de alguém, para poder encher-me com os sonhos de alguém, para poder deixar viver em mim mais do que o meu ser.
Esvaziar-me, desprender-me. E assim encher-me de sentido.

5 de novembro de 2009

sentir

Sentir implica parar ou, pelo menos, abrandar. Como para ouvir o bater do coração. Para sentir o ritmo da vida, para sentir o outro, mas sobretudo para sentirmos o que temos cá dentro, temos que sossegar.
Pode parecer louco nos dias agitados do tempo que vivemos pretender fazer menos, menos coisas, menos esforços. Mas fazendo menos temos a possibilidade de fazer melhor. E assim fazemos mais.
Por vezes fico parada vendo o rodopio à minha volta e sinto, como quando saímos do eléctrico em andamento, o chão fugir-me debaixo dos pés.

30 de outubro de 2009

outono

Sinto que podia viver a vida toda nesta estação.
As cores, o silvo dos primeiros ventos, o aconchego da casa. O ritmo com que se prepara o Inverno nas tradições dos diferentes locais: as compotas, a lenha... Guardar para depois, prevenir, aproveitar a abundância para os tempos menos fecundos.
Parece-me uma metáfora da vida. A ideia de que não temos as coisas (e as pessoas) disponíveis para sempre e de que é preciso armazenar, guardar e preservar. Para mais tarde poder saborear.

É pena que acabe depressa...

26 de outubro de 2009

paz

Gostaria de poder estar sempre em Paz. Ver cada momento tal como ele é, sem o ruído das insatisfações, das irritações e da impaciência que tudo arrasta.
Gostava de ser capaz de ver a vida com olhos meigos, gostava de ver os meus filhos com olhos meigos, gostava de me ver com olhos meigos.
Gostava de "ver com o coração", isso é que é...

outra vez

Acho que estou de volta.

30 de abril de 2009

remédio

Penso tantas vezes que deveria haver um comprimido para o medo. Quando estivéssemos muito assustados, uma pastilha e hop!
Conheço algumas dessas "pastilhas" e gosto de pensar nelas para ter a certeza de me lembrar onde estão quando for preciso usá-las.